domingo, 12 de janeiro de 2014

O Real É Uma Conversão De Desconserto


Recorda a ideia de futuro transmudado em presente

Despido tricolor em clima ausente

A bênção sem peso do eloquente diamante dos olhos abertos, dentro.

Quem dera que todo mundo fosse assim,
oceano de pedra aérea em chamas,
lúcido e tremendo...

Muitas voltas e contravoltas no trapézio de luz
nas metas entranhadas nos caminhos descalços do ser...

Fugaz nevoeiro, alimento combustível em peças de carvão,
Prossegue locomotiva com sonoridade distinta..
Tímpanos com zunidos,
Tacto mordaz e devorador,
A anti-anestesia, de contratempos com sensações infelizes de azia

Quando foi perguntada a sagaz nuvem,
o bebível enlace das estrelas
regozijou-se no arrepio de uma pele genuína
pela ingenuidade
permanecida num rosto de asa.

Segue, segue, segue,
A cabeça move-se,
de olhos fechados,
louca,
moribunda,
titã em si...

Os dedos mexem autómatos,
qual pianista desenfreado no seio
d'um piano em chamas...

Os irmãos nus das pérolas brancas,
vivem dentro,
fortes, invencíveis,
na ostra do mundo todo.

E saltam as notas saltintantes,
melódicas e hipnotizantes
de mentes incoerentes..
ou não!

Abram os olhos..
colocai o manto invisível,
e tudo é vosso...
e tudo é nosso!
Nada de terra do nunca!
nada de riqueza moribunda,
celeste e primordial..
Seremos o Peter Pan do dia do amanhã,
na terra do hoje no palácio do real
e voaremos..
Juntai, juntai...
estamos em voo...

Supersónico sem ardor
do atrito questionado pela física
sem paranóias imaginárias de arestas incompletas
pelo falso "tu"
e pelo falso "eu"...

Pela mentira das nomeações excessivas
das rotinas baças imperceptíveis
do frívolo...
uma leve andorinha pousa nos nossos pés
– já na atmosfera terrena - e pergunta-te:
Conheces a escultura "Le Penseur"
de Auguste Rodin?
Desenhou um ser,
ser-se em meditação absoluta,
cravando com uma incontável capacidade interna,
a inapagável resolução das coisas simples...
Conheces?
Eras tu há pouco,
enquanto criavas,
defronte do barro branco
da vida...

Mas como adeptos de coisas únicas,
a nossa carapaça move-se pela alma viajante
e conhecedora
das artimanhas corporais e carnais incutidas...
Ela é única na dedução verbal e não verbal das fugas intemporais circuncisadas no tempo e no espaço
de coisas lúgubres e agonizantes
a par dos seus antónimos e derivados.

Ela é a chama que sobressai através do suor em tua pele,
da minha pele...
Não tem asas...
mas não precisa realmente,
ela é e deixa ser o branco em clima negro,
o celestial em cenário louco
e varrido...

Ah!
e o cabal sentido da vida,
no seio do medo desvendado
sem réstia de ânsia que lhe possa caber.
Sejamos o não ter,
a volúpia sustenida num acorde ininterrupto de beleza,
metamorfose das facas invertidas ao inferno absorto
no prolixo em despensar
os momentos reais na inércia verdadeira
das existências habitantes em cada nome desverbalizado.

Na confusão das formas,
pequenos pixéis de sorrisos levam ao colo da configuração do azul,
a nomeação do anis nos corpos nus das musas defronte.

Tosse um pateta na colina da nossa plateia,
e sorrimos de novo:
o ruído absorve-se-nos música.

A consciência pertinente de uma nuvem nos dedos,
com suas fendas e caudas,
suas sensualidades e sensações,
suas velas voadoras em trilhos de fúria invertida.

Somos a vida circunscrita nos horizontes.

O perfeito traço melancólico da arte
foge a uma interpretação egoísta e tão só...
anseia pelo rodopiar do andarilho sorridente
em busca da luz nas contrariedades da lâmina da espada.
andarilho que embala
na voz da musa abstraída,
embarca na jornada da sua estadia,
nesta terra tão intervencionista
sem resultados à vista
em prol da sua população
que é tão reticente na loucura
e na busca dos seus ideais!

Grito!
nesta peça tão muda e tão profunda...
pela facada sem corte,
pelo sarar sem melhoria
em forma de sina.

Galopo,
entre arbustos de estátuas inanimadas
em sintonia com a incorrecta circunferência da face carente..
pela necessidade de uma correta abordagem,
pelo preenchimento da carência em falta...
Como as folhas de outono
sem cor e sem luz...
como uma moldura sem cor,
atacada pelo bolor do tempo renascente,
como um céu emundado pelas nuvens cinzentas
e pela teimosia da chuva ácida...
Mas faz o seu desenho e guarda as suas ferramentas..
guarda-as
pois, sem ousadias e covardia da dor sentida.

O pateta que se ri em terra perdida?
componho uma melodia
e vejo uma luva branca em direcção ao seu rosto...
e eu?
rio-me aparatosamente
e contento-me com a imperfeição dos animais racionais
imperfeitos

Poesia em estado bruto....
galopemos juntos,
então,
neste Pegasus
em trote sobre as alvoradas do peito...

Sim, gritemos!
HEY HEY HEY!
Lembras-te da viagem sobre o saco
que flutuava sobre a ribeira dos acasos?
Recordas a subtileza com que dedilhámos
a necessidade de cair na cascata
para saber como nadar,
saber como na água dançar,
saber como na água boiar,
saber como água: ser.

Lembras-te dos pontos de fuga
dos desenhos criados,
desconstruídos e recém-lançados
sobre a casa azul escrita a verde
nas emoções da aprendizagem mestre
do crescimento?

Alentas ainda
a bicicleta histórica com que acrobatizámos a coreografia
das resoluções intocáveis?

Eu sei, tu também...

Sim, gritemos!
Sim, HEY HEY HEY!
Sim, HEY HEY HEY!

E fora das falsas provações do ego
desvive um Baco em apupos de cio.

E em volta dos passos do sonho ramalhudo
nas pétalas do deslumbramento,
vive um firmamento de curiosidades atractivas,
imanes,
hímen fêmeo
puro
irreversível
ao seu amar.

Uma rajada de altivez ressoa falante
ao seu autor
porque entre ocaso e devoção
dança semicerrada em si,
a causa de tudo,
nervo em toque,
fogo em leque,
assunto que rebate
qual nada contra a corrente do expoente de tudo;
qual fragrância alavanca da noção física da alma
em simbiose
sem erro
humano...

Caminhei sobre o jardim de éden
e saciei a minha sede com as águas
não agrestes das suas fontes...
visualizei poetas de correntes literárias bebendo um copo de vinho
em folhas de uva,
e rindo-se de factos ocorrentes..

Talvez pela minha timidez em atravessar tais portais dourados
portando-me como um miúdo à procura de sombra
para analisar lugar tão místico...
Cocei minha fonte
e distraidamente embarrei com um fidalgo de ascendência britânica...
Era William Blake
menosprezando a sua obra
e olhando em seu redor
à procura da caneta dançante,
a sua mais que tudo..

Deliberadamente retirou seus óculos cheios de dedadas digitais
e mirou-me dos pés à cabeça...

Blake: - "Que pertinência..
temos um novo visitante que vai dizer que também escreve em sintonia com as notas proclamadas de Mozart e polidas de Bach!"

Visitante: - "Não senhor (....)"

Blake: - "ahhhh e não sabe quem eu sou..
que infortúnio..
sou a luz de Morrison
e o motor do arquitectónico e seu braço direito... Manzarek!"

Visitante: - "Oh... Sr. Blake!"
Blake: - (humpf...!)
e caminha ele pelo trajeto sob calçada de Da Vinci..

Visitante: (benze-se)
Blake: cite-se, visitante

A psicologia desdobra-nos em várias frontes,
segundo Freud e os seus seguidores
detemos o poder de adaptação,
o ser capaz de moldar a realidade no nosso terreno,
com as nossas "entranhas" bem abertas
a todo o tipo de fragrância ambulante e divinal...
a origem do "viver" constitui só por si uma - poética nua debaixo de folhas salteadas pelo inverno perverso,
que agita a nossa pele
e assombra a nossa lucidez-
um ser em raciocino com cabeça,
tronco e membros...
guiados pelas premissas societais
fartas de farturas
para engordar os desajeitados e chamados ao poder.

E sim galopamos e dizemos
"Hey!! Hey!!!"
A estação sazonal que vigora nesta altura
beija as nossas fontes vitais e pensantes
cobertas por fios coloridos de cabelo genético
da nossa dinastia
e ser de nossa existência.

Como tal
veremos um túnel com seus atalhos e raízes espinhentas...
o nosso trabalho não será ignora-las nem irradia-las...
Não!

Será apenas com a leveza toda
de nossas particularidades
dar-lhes um pequeno ajuste e acorrentá-las
à nossa jornada galopante e jovial...
sim
porque teremos rugas
mas seremos para sempre jovens susceptíveis
de amarguras e tragos de sapos
verruguentos e indesejáveis..

Visitante: (benze-se)
Blake (foge)

O hermético descobre-nos em vários montes.
o filosófico detém-se de pus
sobre pedras de neurónios
em estrugidos retorcidos de fraqueza.
pus desinfectados...
pela Poesia!

Pelas estações todas no copo da luz das certezas.
A nossa pele
é o avesso da memória
porque a memória é presente
quando se trava o medo na varanda da ira.

Às vezes há gente que raciocina em hidras
só com cabeça e sem membros que façam chão.

Hey Hey Hey!
e Meia noite da Lua!

Os poetas entram na caverna solta
com uma borboleta nos dedos e um pássaro na boca.
Têm frio.
Aquecem-se na consciência indelével
que palpita.

E a falta de vinho
fá-los ser vinho
sem álcool.

Entrem,
Sejam bem-vindos à exposição da estima.

Antes da multidão
o núcleo
Antes da imensidão
o pó,
Porque praia sem paisagem
é miragem
porque miragem sem olho
é sonho,
porque o sonho
é desperto
quando se crê.

Entra...
VisitanteS: (benzem-se) (sorriem) (gargalham) (levantam os braços, qual Wagner lúcido sem veneno) (e fecham os olhos, dentro)
  
André Castro & Gavine Rubro
Inédito


Sem comentários:

Enviar um comentário